sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Painstation - o 'Playstation' da dor



De uma forma geral o desenrolar de uma partida competitiva contra um amigo é sempre igual: mesmo que não esteja valendo nada, existe uma grande tensão durante o decorrer da partida, o vencedor geralmente comemora com pulos, gritos e insinuações sexuais contra o perdedor ou a genitora do mesmo, enquanto o perdedor se sente frustrado, nervoso, ou injustiçado porque o "L2 não tá funcionando direito u.u". Todavia os alemães Tillman Reiff e Volker Morawe, que certamente que não fazem exames psicológicos regularmente, tiveram uma ideia "genial" para um trabalho na Kunsthochschule für Medien Köln [Acadêmia de Mídia Artística da Colônia] e fundaram uma companhia chamada //////////fur///// Art Entertainement Interfaces [não é erro de edição, esse realmente é o nome da companhia]. A ideia era semelhante à de todas as produtoras gamers: trazer o jogo virtual o mais próximo possível da vida real, porém a metodologia era diferente: nada de usar gráficos surreais, sem trilhas sonoras épicas e sem controles com sensor de movimentos e realidade virtual, o grande segredo do console é a punição para o perdedor, que deixa de ser apenas humilhação moral e passa a ser também dor física! E não estamos falando de um beliscão qualquer não, no caso de uma derrota há reais possibilidades de o jogador sair machucado de verdade da partida.
Como isso é possível? Já iremos explicar.






O Painstation [com o lema No Pain, No Game] não necessita de TV, nem de joysticks e nem cartuchos ou CDs de jogos, a única coisa necessária para encarar o videogame é coragem! Trata-se de uma espécie de mesa de cerca de um metro quadrado com um monitor no centro, dois botoes giratórios e duas chapas de ferro, uma de cada lado. O console roda o pioneiro dos jogos virtuais e muito conhecido: Pong, jogo onde uma bola fica passeando pela tela e cada jogador controla uma barra que se move verticalmente de um canto ao outro, aquele que deixar a bolinha passar pela sua barra perde. Até aí nada que fuja do padrão, mas a grande sacada é a seguinte: cada jogador controla a barra vertical com uma mão enquanto repousa a outra sobre a chapa de ferro, carinhosamente batizada de Dispositivo PEU [Pain Execution Unit, ou Unidade de Execução de Dor]. A cada ponto perdido, o jogador recebe um castigo físico na mão, e como se já não fosse absurdo o bastante, ainda podem variar em três tipos diferentes:

Choque elétrico: A chapa de ferro desfere um choque na mão do jogador
Queimadura: A chapa esquenta rapidamente causando uma queimadura na palma da mão do jogador
Chicotada: Ao lado da chapa encontra-se uma espécie de fio, a cada ponto perdido o fio desfere uma chibatada na mão do jogador [aparentemente o que causa mais estrago]



A potência do castigo depende muito das opções escolhidas pelo jogador e das condições do jogo, por exemplo: Se você deixar a bolinha passar pela sua barra e tiver sido o último a tocar nela, a potência do castigo é aumentada; se deixar passar quatro bolinhas consecutivamente, a culpada será a sua mão direita, mas será sua mão esquerda que pagará pelo erro, já que a potência do castigo é maior ainda.
Mesmo depois de ler até aqui você ainda se considera corajoso e encararia o desafio numa boa? Se a resposta for "sim", separamos uma seleção de fotos que provavelmente farão você questionar essa decisão. Tratam-se de fotos da mão de alguns jogadores ao fim das partidas, algumas com ferimentos realmente feios, confiram:










E não há misericórdia não, se o jogador remover a mão da chapa de ferro durante o jogo automaticamente seus pontos começam a diminuir e só param quando o mesmo recolocar a mão no dispositivo, sinistro não?
Contudo, além de receber o nome inspirado no console da Sony, o aparelho também acompanhava um logotipo idêntico ao mesmo, já que os criadores não imaginavam que sua máquina de tortura portátil se tornaria mundialmente conhecida. Segundo Reiff, logo que o console começou vir a público começaram a aparecer os problemas com direitos autorais e um advogado da Sony entrou em contato com ele, segundo o mesmo, foi feito um acordo que desde que o produto não seja comercializado poderá manter o nome, mas o logotipo teve que ser removido.[Óbvio que a Sony não ia querer o logotipo do Playstation numa máquina masoquista alemã]


Felizmente esse produto é apenas um experimento e por motivos óbvios não é comercializado em país nenhum, já que choveriam processos sobre danos físicos para os desenvolvedores carrascos, que acabariam com mais dor de cabeça do que nas mãos. Porém por mais insano que tudo isso possa parecer, o console já esteve disponível para testes em vários eventos grandes e muitos foram os corajosos que deram a cara à tapa [a mão no caso], hoje o mesmo pode ser encontrado e testado livremente no Computerspiele Museum em Berlim. Segundo Reiff, apesar de parecer loucura passível à acompanhamento psiquiátrico, a ideia é original e conseguiu cumprir o objetivo proposto: trazer o console mais próximo possível da realidade, e ao contrário das grandes desenvolvedoras, sem apelar para tecnologia de ponta com gráficos impressionantes. Ainda segundo o mesmo, apesar de parecer que a máquina proporciona sofrimento no lugar de diversão, o console tem seu lado positivo, já que a cada ponto sofrido o jogador fica mais esperto e a disputa fica ainda mais acirrada.
A ideia realmente é contraditória e muitos gamers repudiam essa invenção, mas já dizia um velho sábio: "Todo gênio é um louco, e todo louco é um gênio", e por mais absurdo que pareça, a premissa sugerida foi cumprida e as demais produtoras deveriam ter isso como base, não necessariamente na parte da dor física, mas na ideia de aproximar o jogo do jogador usando métodos alternativos. E quanto você leitor, teria coragem de encarar esse videogame de macho?!



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